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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010




Sou passado
Presente agora
Ofuscado por um futuro
Esquecido, vencido

O mais eterno eu
Ferido, destruído
Serei só um corpo?
Sem alma

Serei o aborto
O vómito da sociedade
Abroto, garoto
Em voz de verdade

Serei talvez!
O que me deixarem ser
Mas vencerei
Tudo que quiser vencer

Não vou dobrar ou partir
Não vou quebrar ou sorrir
Na hipocrisia que abunda
Qual oceano traiçoeiro

Não me esperem calado
De semblante derrotado
Pois não tenho futuro
Onde não houve passado

De caixão aberto
Não serei flor do deserto
Não terei o corpo enterrado
Na morte do espírito

Vagaroso em mim
Carecendo a meu tempo
No tempo que não tem fim
Terra avista

Onde descanso minhas pernas
Cansadas traídas
Por um inverno qualquer
Nas nuvens da desilusão

Eu que nunca tracei caminhos
Ou construi destinos
Não entreguei palavras ao vento
Nem dei crédito ao pensamento

Eu que escapei das mais tenebrosas prisões
Acorrentado a maldições
Que me escapei dessa dor
Trepando os espinhos em mim crivados
Hoje construo minha tábua de salvação
O pilar do tabernáculo
Onde o cálice me espera para a eterna comunhão
Eu descalço-me dispondo-me de preconceitos
Escuto os ventos do norte
E desprezo os ventos do sul

Serei terminado em Seul
Grande montanha que me aguarda
Nesse grito de medo
Eu te perdi
Eu te perdi

Tu que foste o meu grande amor
Tu que me aqueceste no frio
Em teu próprio calor
Tu que me alimentaste
Que me libertaste

Eu que decifrei
Que este mundo não tem sorte
Que amor existe
Mas só em miragem

Que o horizonte e vazio
E vive na solidão
Que o próprio mar deixou de ter razão
Salgado estou eu no beijo da rosa
No veneno que me entregaram
Dá-me a tua voz
Dá-me a tua mão
Dá-me uma razão
Uma pequena solução
Um amor por amar
Uma nova vida em um novo recomeçar
Mundo novo onde possa caminhar
Eu aqui estou
Sentado nas pedras de intempéries
Rolando pelo chão
Perdido na MULTIDÃO
Sou filho do armagedão
Dá-me um passo de corrida
Um chá quente
Servido pela madrugada
Na enseada que terminou
Traz-me um luar
O vinho para acompanhar
Eu, ai
Eu apenas em ti retenho meu olhar
Eu testemunho
Sendo servo aprendiz
Na arte de amar

Salto a corda
Tentando do céu algo agarrar
O sonho é meu
É teu
De quem lá quiser entrar e sonhar

E de ti mais sei
Quem serás?
Onde estarás
Nas inglórias perdidas
Nos desencontros
Que marcam uma vida
Eu cá estou assim, assim
Obrigado, pela chamada
Guardando ainda a palavra
Que me esqueci de lembrar
Lembrando de dizer
E no medo deixei perder
Eu cá estarei
Na arte de amar
Esperando apenas um amor
Um amor que seja possível amar






2 comentários:

anita sereno disse...

que neste natal seja de muita saúde paz e amor
que o amar reacenda o teu coração de esperança que aceiteis o amor com confiança com alegria abre o teu coração e ama ama de verdade belicismo texto parabéns feliz natal

Luís Coelho disse...

Bom dia Filpe

Um poema pensativo que nos deixa momentos de pura reflexão.

Desejo a ti e aos teus Festas Felizes