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domingo, 14 de novembro de 2010

Sou demente


Sou intransigente
Obtuso e rabugento
Sou pouco mais que inteligente
Sendo eu demente

Por ouvir essa verdade
Que nada mais que falsa é
Sou demente
Por de ti ser dependente

Rindo, mas rindo mesmo
Alegremente
De quando me tornas num palhaço
Espaço para o qual me afasto

Subindo degrau a degrau
A escadaria que me leva a dor
Sei bem que sim nesse teu sim de não
Não sabendo se é amor

Sou demente
Me torno um ditado
De uma palavra
Que solto
Emigrado do meu tom
Mais calado

Sou demente
Rejeitado
Amputado
Calejado em teu corpo escravizado

Sou demente
E vagueio normalmente
Por meu mundo secreto
Onde tudo e aberto

Demência
Onde não existes
Nem no sopro
Nessa tua tendência
De me descartar

Sou demente
E cresço qual semente
Nesse novo lugar
Onde só entra
Que me quiser amar
Sou demente
Nessas paredes
Onde desenho
Um novo começar
Um miradouro
Que construo
Para de lá poder a vida olhar
Voar correr e saltar
Nesse lugar que e meu e teu
demente  de pernas para ar
No meu nascimento para amar
seja aqui ou em qualquer lugar
meu sopro quer caminhar
para a demência oportuna
como quem ama sem qualquer lacuna

2 comentários:

Fernanda disse...

Muitos de nos, somos dementes, sobretudo quando deixamos que alguem comande as nossas emocoes. por vezes e' bom, mas nao sempre porque podemos correr o risco de eliminarmos alguma coisa importante de nos mesmos. ainda bem que o personagem do poema tem um canto, um refugio, onde podera proteger a sua alma e ser livre. continue correndo na liberdade de escrever o sente... e' a liberdade mais verdadeira que temos
um resto de bom domingo
fernanda

SolBarreto disse...

"Nesse lugar que e meu e teu
demente de pernas para ar
No meu nascimento para amar
seja aqui ou em qualquer lugar
meu sopro quer caminhar
para a demência oportuna
como quem ama sem qualquer lacuna"
Adorei isso ...esse amor sem lacuna, sem medo de amar, aqui ou em qualquer lugar...Amei isso!