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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

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Marujo das Palavras

Nesta alva folha de papel hoje tinjo com lágrimas de saudades que escorrem plenas em minha face. Outrora você recolheu as lágrimas dos meus pensamentos, e com  sapiência e ternura as transformou em diamantes de esperança. Como sinto falta de ti! Ensinaste-me a navegar pelas tortuosas vias que minha inconstância teimava em mostrar, fui tua aprendiz. E como estava crescendo sob o teu olhar. Aqui longe, caií, perdoa-me. Busco em meus devaneios tuas palavras ainda nebulosas. O medo de nunca mais te ver, cega-me o passo a frente. As melodias, tuas perfeitas melodias feitas em prosa e paixão, desenham o meu caminhar.
Ando vagando pelas trilhas no bosque, procuro as árvores primas daquelas que nos acolheram nas tardes de outono. Ao longe vi uma casinha de sapê, a chaminé denunciava que o amor a nutria, o cheiro do pão resgatou nossas aventuras. Lembra quando inventamos de cozinhar juntos pela primeira vez? Nunca vi tanta farinha ao chão! Foi o mais saboroso pão que já provei, amassado a quatro mãos, assado no forno com as lenhas que cortaste.  
E a frustração de acordar na realidade corta o peito. Quanto mais terei suportar longe de ti! Vagueio pela praça gritando teu nome, contando fragmentos da nossa historia que me devolve a memória. E mesmo sendo considerada louca, é nesta minha insana loucura que te encontro, alucino. Até ontem eram apenas meus pensamentos presos as lembranças ressurgidas, hoje comecei a entrar na nebulosa fantasia criada pela dor da tua ausência, te vejo por todo lugar. Tua face está desenhada nas estrelas, te encontro entre as Três Marias, sorrindo pra mim. Nesta tarde lancei meu corpo ao lago da cachoeira, vi teu reflexo me chamando... mergulhei fundo e por instantes senti você ao meu lado. Em minha vil loucura tenho abastecido o corpo para a realidade de tua ausência, mas não sei até quando irei suportar. Estou com medo, preciso muito uma resposta tua. Já começo a duvidar de mim, se o que estou lembrando realmente vivemos, ou você não existe, sendo apenas fruto da imaginação, ilusão de uma desvairada errante.
Segue esta carta, do mesmo modo que as anteriores, sem endereço certo, levada pela força do amor que nos uniu um dia e numa estranha certeza de que ainda lembras de mim.

 Olhos de Agua

2 comentários:

ValeriaC disse...

Muito lindas, sentidas e apaixonadas estas palavras...sem dúvida cativam a alma de quem as lê...
Que sua semana seja maravilhosa...beijos
Valéria

MariAne disse...

A esperança nutre o sonho
O sonho nutre o amor
O amor enaltece a vida