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terça-feira, 14 de maio de 2013

Deuses de tributos

Deuses de tributos alectórios de semblantes fechados labirínticos fatídicos caminhos da eterna vida em morte, sopra o vento na ira do mar quebra os remos afunda a barca onde o amor se esconde num tabernáculo submisso entre esses passos falsos de planos traiçoeiros, homem da desgraça sem destino sem graça que arranca tudo em dor por onde passa desértica alma arrebatador abutre és sem amor rei de aquém, quem te fez destruidor? Te designando o poder imerecido entre as intempéries e choros de mais uns invernos sem cores de sois que não brilham, desdenhas tudo que queres para falsamente amar, tua voz não escuto entre teu tremor sem consciência de quem apenas deseja causar temor! O julgamento será teu sobre as aguias que te debicarão e os corvos que teu corpo devorarão e nem grutas ou universos por descobrir te salvarão o destruidor da humanidade. Quê compraras com tua riqueza, quando não houver mais nada para comprar? Quê alimentos compraram para a tua barriga saciar quando não houver alimento para plantar e nada para colher? Como viveras quando o pobre de sofrimento morrer?

Que nunca

Tudo esta na tua mente
Todos os nossos sonhos
Nosso corpo carente

Quem vem do alto
Descendo a nuvem do sonho
Angústia e ternura
Que se afoga na loucura

Desespero esperado
Corpo acorrentado
Espírito derrotado

E quem chama se aproxima
Qual voz qual cantiga
Qual poeta em plena estima
Em cada palavra que não lhe é amiga
Em cada brisa de seu estigma

Quem vem do alto não se aproxima
Não se resigna
Não se entrega
Mordendo seu próprio calcanhar

E se o poder é só o ter
Onde esta a razão?
Se para ter basta saber ser
A palavra que deu uma bela canção

Gritando ao escuro da noite
Os segredos escondidos
Na palavra incerta
No momento em que o coração aperta

Nesse pecado de pecar
Só não aceita quem não quer aceitar
Talvez seja mais facial disfarçar
Ou mesmo não se saiba amar
Talvez o prazer de odiar?

E quem chama se aproxima
Qual voz qual cantiga
Qual poeta em plena estima
Em cada palavra que não lhe é amiga
Em cada brisa de seu estigma

E se essa voz que morde pela calada
Que entra pela assoalhada
Sem cara sem morada
Suas unhas me cravam

Que nunca utilize a minha palavra
Deturpando razões
Reiterando emoções
Entregues a novas sensações

E quem chama se aproxima
Qual voz qual cantiga
Qual poeta em plena estima
Em cada palavra que não lhe é amiga
Em cada brisa de seu estigma

Nessa voz que não é só minha
Que nunca a tentem calar

Deslizando sobre quem em nós cai

Deslizei sobre quem em mim cai
Deslizei sobre um monte de mil sois
Cai sobre o longínquo mar
Entre escarpas e girassóis

Colhi anzois de nuvens
Despi lençóis
Em cordas seguras
De quem quer amar

Saltei, pulei
Gritei, amei
De lugar em lugar
Numa nova busca
Uma nova forma de amar

Construí castelos
Deslizei sonhos
Troquei moradas
Salivas desdobradas

Casas de portas amarelas
Telhados medonhos
Em janelas singelas
Era-mos nós

Porta de despedida
Era eu e tu
No sopro da vida
Na última saída

Sorrindo sobre a lagrima vertida
Estrangeiros numa terra prometida

Deslizando sobre quem em nós cai
Deslizando sobre um monte de mil sois
Caindo sobre o longínquo mar
Entre escarpas e girassóis

Sei de ti

Sei de ti como quem sabe de mim
Sei de ti como o deserto
Sei de ti como um rio
De paragem, incerto

Sei de ti a cada noite
A cada luar
Sei de ti a cada madrugada
Que me quer amar

Sei de ti a cada pétala dobrada
Em cada ramo partido
Sei de ti, fonte de água
Cristalina em sua nascente

Sei de ti em cada por do sol
Em cada beijo
Sei de ti em cada abraço
Em cada ensejo

Sei de ti em cada linha
Do teu rosto cada traço
Sei de ti de cabelo ao vento
Cada laço num tempo

Sei de ti sem fim
Em cada rua por trilhar
Sei de ti em teu corpo
Cada passo que ele quer caminhar

Sei de ti em cor
Sei de ti em jasmim
Perfume perfumado
Sei de ti em flor

Sei que será assim
Sei de ti ao teu lado acordar
Sei de mim
Sei de ti que te vou sempre amar

Eram ramos de rosas

Eram ramos de rosas
Cardos de espinhos
Relinchando cobras
Eram serpentes desertas
Venenos e ferroes

De feridas de sortidas
Cavalgando sobre glórias
Satíricas antepassadas
Eram lanças entregues aos tempos

Moinhos parados
espera dos ventos
Sussurros e sopros
Vozes roucas
Línguas dissolvidas

Acidas chuvas
De pensamentos bastos
Em vasos quebrados
Raízes brotadas

Arrancadas pelos secos corpos
Eram eles
Eram elas
Correndo descalços
Sobre as poças

As lamas da juventude
Eram todos
Sorrisos abrigados
Pela ternura que já não volta

Eram sapatos sem cordões
Velhos no jardim
Num banco de cartas
Acordeões de galos cantantes

Era elas e eles
Era o amor ao amanhecer
De cada vida
Eram eles e elas
Sem medo de nada perder

Eram fortes
Com sangue nas veias
Limpando poeira
Aventurando cada fronteira

Eram paixões
Vinhos e verões
Mulheres de saias
Barões e lampiões

Era-mos nós na primeira vez
Que abrimos os olhos
Para um mundo sem igual
No hoje relembro apenas
Que já tive toda a força no mundo na mão

Era ele era ela
De cana na mão
Pescando cada nova sensação
Salivando cada novo paladar

Eram singelas janelas
Pintadas de aguarelas
Madeiras ilustradas
De vernizes lacradas

Eram eles de rosas na mão
Chamando atenção
Em cada pé de dança
Em cada salto do chão

Eram elas
Eram eles
Era ele
Era ela

Com o condão
Da vida pendurado
No coração
Qual amuleto
Nesse grande paixão
Eram descobertas

Que me trouxeram
Ate ao dia que então
Pude finalmente respirar
E era só eu na basta miragem
Da solidão

terça-feira, 7 de maio de 2013

Pétala do amor

Corpo meu
Viagem do adeus
Corpo teu
Viagem sem bagagem

Alpendurada de desejo
Um aplauso ao teu sorriso
Casa tua onde me revejo
Teu abraço amigo

Uma espécie de felicidade
Aguarela pintada
Respiro de saudade
Amor de verdade

Quem te tirou de mim
E me deixou sem vontade
Quem te fez assim
Mulher de liberdade

Rosa madrugadora
Que te espetas em meu peito
embeleza meu sonho
És dor sim!
Mas também verdadeira
Mais que verdadeira nesta alma
Que em rosa brota a pétala do amor

Dor que não dói
Na morte de um coração
Dor que mói
Sem qualquer razão

Tudo que seria
Sem destino alado
Em nós sem alegria
De este amor quebrado
Nesta hora
Neste tudo ou nada
Viagem sem demora
Na pétala jogada

Rosa madrugadora
Que te espetas em meu peito
embeleza meu sonho
És dor sim!
Mas também verdadeira
Mais que verdadeira nesta alma
Que em rosa brota a pétala do amor

cores de alento

Passeio seguro
Entre o lampião apagado
Cair de um muro
Voz do dessossegado

Numa rua deserta
Sem entrada ou saída
Cidade de porta aberta
Muralha amiga
Noite que me despe
Ao relento da brisa
Maresia agreste
Ondulação de carisma

Leva-me para la desse momento
De uma tela por pintar
Em cores de alento
E me mostra o que é amar

Regressa pela mão
Onde te abracei no primeiro segundo
Regressa na imensidão
De que eu e tu somos uno

Entre as luzes das estrelas
Nadando entre pirilampos
Telhados e merendas
De rios e ganapos

De princesas e sapos
Na montanha do coração
Que de novo caminha no fogo dos arcos
Aceitando essa emoção

Leva-me para la desse momento
De uma tela por pintar
Em cores de alento
E me mostra o que é amar

Regressa pela mão
Onde te abracei no primeiro segundo
Regressa na imensidão
De que eu e tu somos uno

Ao longe do perto

Tenho o barco de encontro ao peito
O desejo de um segredo
Pernas abertas pernas fechadas de um olhar que deleito
No corpo que te entrego na paixão que te concedo

Erro por erro
Noite por noite
Onde bem sabes meu segredo
Que rasga em açoite

Pela luz da manha escondidos
Depois do relento
Os corpos despidos
Paixão que em ti alimento

Não te vás agora
Esquecendo o amanha
Ama-me sem demora
Enquanto meu corpo ainda vive ca

Ao longe do perto
Do toque desperto
Grito de alerta
No teu perfume que me cerca

Não afundes o desejo
Na traição devida
Não me deixes sem o beijo
Enquanto em mim pulsa vida

Barco de encontro ao peito
O desejo de um segredo
Pernas abertas pernas fechadas de um olhar que deleito
No corpo que te entrego na paixão que te concedo

Ressurge uma vontade

Ressurge uma vontade de agarrar o tempo como um louco mesmo sabendo impossível agarrar o vento continuarei a me insurgir agarrando aquilo que o vento me entrega na simplicidade cada vez que o tento agarrar e ele me responde com um sorriso!

Entre esses espelhos partidos

Quando abro a porta para te amar
Nesse medo de não te querer perder
Eu te toco e deslumbro com o olhar
E me convenço que na minha vida você quer caber

Quando a chuva toca seu corpo
Te molhando de amor
Tu soltas esse apelo
Me dando a provar seu sabor

Entre esses espelhos partidos
Onde quebrou meu reflexo
Nesses sentimentos perdidos
Eu te amei com medos vencidos
De loucura em loucura
De quem não quis em você só uma aventura

Vou te libertar
Vou te esquecer
Mesmo sabendo que não posso deixar de te amar
Vou enlouquecer
E ate chorar
Mas meu amor, eu vou te libertar

Eu bem sei que
Posso até tentar
Talvez até sofrer
De saber que não soube amar

Nem vai tentar
Eu já sofri
Não vai lembrar
Quem te amou assim

Entre esses espelhos partidos
Onde você quebrou meu reflexo
Nesses sentimentos perdidos
Eu te amei com medos vencidos
De loucura em loucura
De quem não quis em você só uma aventura

Vou te libertar
Vou te esquecer
Mesmo sabendo que não posso deixar de te amar
Vou enlouquecer
E ate chorar
Mas meu amor, eu vou te libertar