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quarta-feira, 25 de julho de 2012

respiro


Se eu respiro
Tu me abraças
Soltas as asas de um anjo
E fazes para mim um abrigo

Se um pássaro canta
Enquanto danças
Entre os raios de sol
Entre as sombras
Das promessas
Continuando amar, continuando amar

Se a vida te magoa a cada alvorada
Acorrentando a solidão
Ancorando a maresia matinal
Tudo caindo tão perto de cada mão

Se em cada brisa a magia
Em cada respirar se solta amargura
A paisagem de noites soltas
Envoltas em suspiros de silêncio

O mundo gira
O povo suspira
E tudo corre
Como se nada fosse

o pássaro quer cantar
Enquanto danças
Entre os raios de sol
Entre as sombras
Das promessas
Continuando amar, continuando amar

sábado, 14 de julho de 2012

Sementes de silêncio


 



























Sei que é tarde
E as estrelas já brilham
Tenho esta noite
Na campainha
De uma lágrima que cai
Não sendo anjo
Procuro entre o vazio
O teu abrigo

Sombra de mim
Ao relento de um só dia
O pássaro canta
Enquanto vê a árvore crescer
Nas asas do amanha
Me retiro respirando
Entre o vento a poeira que me chama
Levanta-te, levanta-te!
Ao caminhar descalço
No mar que se abre
Minha boca suspira
Enquanto te expulsa
Nas asas desta tarde tardia
Algo do céu se retrai
Sementes de silêncio
Amor ou amor
Paixão ou paixão
Ao segundo do suspiro
 
Ele torna a nascer
Ela o torna a ver
Qual fogueira ardente

Será bem-vindo um sopro no coração



A uma bandeira que iço quando não há vento
A um buraco na alma de poeira
Um barco ancorado cada vez que me desalento
 Sempre uma borboleta que se prende em uma teia

Uns olhos que choram
Uns olhos que não vêem
Uma dor de fome
Enquanto eu puxo o gatilho
E tu me secas o dia de amanha

Uma travessia no deserto
De milhares de km
Onde a chuva nos inunda
Sem um grande guarda-chuva
Alguém me traga um guarda-sol

Cada movimento
Cada passo
Uma voz que chama
Uma criança que clama
A cada momento
Um sonho para sonhar

Um sorriso por dar
Um aperto de mão
Alguém para amar
Uma nova sensação

Porque a vida não tem razão
E em cada segundo
Será bem-vindo um sopro no coração
Que nos faça girar
 Mundo!
Tens muito para amar

Nessas rosas do deserto
Vermelhas do sangue derramado
Ao corpo incerto
De um homem amarrado
Pranteia e sobre teu pecado chora




  



quinta-feira, 17 de maio de 2012

horas contadas


Sem esperança
Na própria esperança
O soluço tira o ar
Se ao querer respirar
A súplica se solta

A voz que clama
A paz que se esconde
O regozijo do poder
Uma alma na morte
no amor comprada

Atiro mais uma linha
Onde tinta, risca meu nome
Ao acordar da sesta
Chega a desilusão
Em lamento
Ao negro do luto
Não me pranteio ao corpo
Nele eu nem existo
Ai da alma!
Negra alma que tento expulsar
O velho medo da incerteza
De assumir a inexperiência
onde sou garrafa nunca vazia
Que se enche sem esvaziar
O perfume é igual
No pecado já pesado

Agora sim
Nesse teu não
Que agora me retalha
Diz me a mim
Se isto é apenas um sim de não
Para que o tempo me confunda
Entre o leve vento que me atrapalha

Quem me descalça
Sendo meus pés, meus braços?
Quem se agarra em meu peito?
Nas horas contadas
E me diz baixinho
Sou eu de ti
Num lugar após outro
carregado pelas asas de uma frágil borboleta .

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ressurge a vontade de agarrar o vento


O tempo não ousa em parar
Sua cobardia não permite tal renascimento
Ressurge a vontade de agarrar o vento
Inutilmente em tentativas e cruzadas

O vento não se deixa enganar
E a saudade ganha sua força
Como uma lágrima vertida
Outras desejam verter

A ruína e total
O sorriso, uma miragem
Um beijo apenas uma lembrança
Ofuscada muito distante

Ficam velas içadas
Belas apagadas
Em faróis e barcos
Ao velho e sorrateiro vento

A boca seca de pouco falar
Deseja o último suspiro
Um por do sol
Por nascer

Aguas derramadas
Consumidas pela ferrugem
Se espalham
Nesta alma por nascer
E tudo finda


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

primeiro dos primeiros passos

Posso ser eu, podes ser tu do lado da janela embaciada pelo tempo, acorrentado a uma cadeira na ânsia de o sol brilhar cancioneiro de tantos sonhos. Lamparinas apagadas, por um passado bem presente, ou apenas uma árvore sem raízes perdendo suas folhas pelo Outono. Uma voz calada que tenta falar no silêncio, um amor desfeito pela tempestade, qual castelo de areia desmoronou num mundo erróneo. A nudez da lua longínqua como um deserto que queima nossa boca um mar de temperamento brando transformado na maior das intempéries onde a alma pode ressurgir sozinha, discreta pela sua nudez no primeiro dos primeiros passos gritando vitoria em um cenário de derrota. Podem teus olhos chorar lágrimas ao vazio e teu corpo abraçar o invisível da espera e até o fruto ser doce no meio de tanta amargura. São teus pés descalços, passos teus para quem tenta caminhar mesmo com a janela fechada.

Agora que te aprontas


Posso sentir a chuva
Agarrar o cabelo
Perto do que antes estava longe
Desnuda em alma
Tentando agarrar o vento

Ser o toque
Em uma possibilidade que foge
Se eu não consigo sentir esse respirar
Nas asas que não são minhas

Agora que te aprontas
Retardando o sol nascer
E vida escasseia por um tempo indefinido
Onde a procura apenas retarda o nada

E o cabelo se solta
Qual criança perdida
A corda se quebra
E o vento fica mais forte

Qual garrafa sem rolha
Guerreiro sem armadura
O sol se amostra
Onde o olhar se esconde

A vida em si
Que cresse lentamente
Guerreando por um lugar
Onde o destino se comprometa
Regulando a distancia

Quem te acolhe por agora
Onde o mundo se esvanece
Na razão que foi trocada pela demora
Entre esse passo que envelhece

Seja a primavera ceifada
A última colheita
Em que meus olhos se abriram
E teu corpo se despiu
Ate a próxima alvorada




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Despe-me e deixa-me constipar e que me entre essa aragem


Posso conter como quem chega de passagem
Não me desculpes se assim te fiz chorar
Não tenho esta primeira na mão em última abordagem
Despe-me e deixa-me constipar e que me entre essa aragem

Não quero uma correcção inventada por um filósofo
Quero uma cadeira quebrada, para com ela poder cair
Uma linhagem distinta
Enquanto caminhas surge a pergunta
Quem chegou foste tu, ou mais uma razão?
Até que por acaso arguta esta falange
E no ar! Tem este mundo solução?

Na cauda dessa estrela na chegada
Ao meu primeiro céu
Descoro de pernas quebradas
A dor que em teu corpo cuspi

Quererei eu gostar de ti?
Eu bruto e tu como amor
De mão na mão
Eu bem ali e tu bem aqui
No desmaio de mais um acordar
Em olhos fechados
Mentirei eu?
Ao pássaro que me amanhece com seu cantar
Podes saber todas as minhas verdades!
Mas de certa ate para falares as vizinhas
Quererás as mentiras frescas
Eu planto em semente
Tu regas em água
Com o sol que aparece

Agora dá-me uma dor
Eu te darei amor
Mesmo que no fim
Seja tudo deserto
Aqui vive o afecto
Na saliva de uma nova morada
E o beijo se extingue