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segunda-feira, 4 de março de 2013

pseudo faraós



Entre as crateras da vida
Eis que nasce a geração rasca
Levantando a voz
Erguendo a alma

Sem medo proclama
Uma verdade
Sem medo enfrenta
Esta sanguinária sociedade

Ressurge sim
Um novo amanha
Sem nada temer
Haverá de novo princípios

Se não for por nossa mão
Já a muito cravejada
Consciência desactivada
Rogo ao poderoso Javé
Que nos unifique em justiça

Que nos liberte tal Egipto
E nos traga novas tábuas
Entre a salvação
Que nos traga o tabernáculo da verdade

Se não for por nossas mãos
Que o mar se abra de novo
Engolindo estes pseudo faraós
O vinho é azedo
As palavras veneno

Regozijem agora
Entre barrigas cheias
De tanta desgraça
Culpados sois
Viris bois
Cavalos Corno
Relinchando
Eunucos de verdade

Entre esse poder falso
Dominais homens
Dominados por Querubins
Protegidos por Serafins

E se não for por nossa mão
Será pelo nome do Arcanjo
Pois a ele foi dado toda a autoridade
Daquele que faz com que aconteça
Renascendo uma nova esperança
Aqui já se grita
Quem manda é o amor!
Não o poder!

domingo, 3 de março de 2013

Aja quem entre



As paredes já gastas
Unidas por uma cor
Albergam vozes caladas
Memorias despojadas

Sugam o fumo do cigarro
O grito de cada ser
Quem em silencio?
Reclama sua existência!
Oh! Quanto alento
Me deixe pelos dedos suados
De revolta em tanta dor
Como apenas queria
A criança debruçada
Livre! Desancorada
Ai dos hipócritas
Repetidores de outros repetidores
Aja quem entre
Enquanto outros não deixam entrar
Ai do deserto feito de sol e mar
Quem sabe a lua
A simples lua, a vos possa devorar?
Que os pássaros tomem contam nos céus´
Entoando suas belas melodias
E a revolta do mar seja audível
Que venham tempestades
E que causem danos sim!
Extinguimos hoje
E o cabo bojador
Qual Golias Nada nos diz
Não quero cravos
De lembranças
De saudades extintas que nos prende
Qual espelho na parede
Apenas reflectindo
A voz que me alberga
Me faz gemer
Entre a esperança tremer
Mas indo além
Qual rua sempre em frente
Encontrar essa curva do amor!






É para que tu poeta



Num sinal do tempo
A água se transformou
Desfilou sobre meu corpo
Num sumarento gomo de uma pequena tangerina

O pequeno se torna grande
Pelas suas acções
Em sua caridade
Um jeito eterno de saber estar

O amor desflora radiante nessa face
Transborda em tal coração
Contaminando os demais
Criando sonhos de esperanças

Num agradecimento genuíno
Nada te é cobrado
Nem a mentira ali sobrevive
Apenas o toque
A palavra que cativa
Numa verdade animadora

É nessa que agora escreve
Em verdade te despia
Me tornava eu, em ti!
Não me curvaria
Mas te amaria
Pelo céu entre as nuvens
Subiria, saltaria
Para te encontrar
Seria carpinteiro
Na arte de te construir
Uma flor para te contemplar
Em cada lugar
Existiria a música do teu caminhar
A dança do teu existir
E mesmo ao findar
Te tornarias eterna
Para uma nova geração
Meus apelos rogados
É para que tu poeta
Sobrevivas aos tempos
E não pares de olhar nos olhos de quem sabe
O que é viver, sentir o que faz mover!





sexta-feira, 1 de março de 2013

Eu te convido a descalçar





Eu te convido a descalçar!
Serão as sombras tão altas em teu corpo?
Pode um novo lugar ressurgir
Em ti acampar
Colorir um sonho por realizar

Sim és tu
Em eu, de mim
Sempre tu
A desgarrada
Fado! Magoada
Em cada corda da guitarra
Correndo contra o tempo
Em relógios apressados
Em passos desgarrados
Sim és tu a lágrima
Que broto
No mais puro sentimento
És tu a água
Onde me bento
Cantata escrita
Sobre uma mesa
Que se eleva
Para te escrever
A rosa despida
Que quer a muito ser amada
A mulher espinhada
Que se afasta
Mesmo não querendo ser afastada
Estaremos sozinhos?
Entre Serafins
E querubins
Que nos protejam
Os guardiões das estrelas
Que não te deixem cair
Tropeçar e magoar
Nesta aurora dormente
Eu te rogo
Para não adormeceres
E voares entre as nuvens do acreditar
Eu te convido a descalçar
E a caminhar junto a mim
Sobre as ondas do mar!

Existe em mim



Ela talvez seja meu castelo
Entre as nuvens do meu ser
Onde o sonho se pode sonhar
Ela talvez seja minha esperança viva

O fio condutor
Que me liga entre a terra e o mar
A luz que me conduz
Aos reinos do céu

O sonho que sempre temi viver
Mas a escravatura se aproxima
O sistema que aprisiona o sonho

Se abaixem não olhem
Chegou o assassino de sentimentos
Ele vai roubar, vai desesperar
O mais brilhante coração

Liberdade verdade ou mito
Igualdade censurada
Tome seu lugar
Quem dirige tamanho circo?

Existe em mim um castelo
Numa nuvem ancorado
Onde posso sonhar
Existe em mim um lugar sagrado
Onde não preciso chorar

Existe em mim algo maior
Um amor
Uma nova morada
Onde ninguém tem de sofrer

Rio de palavras
Correndo em seu leito
Criando frases
Lembranças escritas

Existem em mim belos jovens´
Em seus cavalos alados
Cavalgando neste rio
Lutando pelo sonho

Uma nova luz
Uma nova esperança
Erguendo sua força
Levantando sua voz
Criando pensamentos
Existe uma muralha para transpor
Lágrimas para limpar
Dor para curar
Existe amor para dar e receber
Existe esperança
Em acabar com a escravidão
Mental, económica
Existe em mim
Uma criança pura
Que acabada de nascer
Me faz querer lutar
E se tiver que chorar de novo
Chorarei, prantearei
Mas não desistirei
De ter no mundo
Um simples e pequeno lugar
Afinal de que serve viver
Se não se tiver um pequeno
Mas ternurento olhar!