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domingo, 30 de outubro de 2011

Um trago de sal


Hoje revelo em mim
Uma certa luz
Um trago de sal
Ao mergulhar na alma
Um sentimento de culpa
Por ter nascido em semente
Onde o solo árido rejeita germinar
E ai nasce todos os meus Porquês?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O sopro vem só

Sombria vai a noite
Num sorriso espontâneo
Quem se segue
No patamar dessa casa vazia

Como espelho reflecte
A imensidão da alma perdida
Ansiosa por se encontrar
Num regresso a si

Vagarosa entre nos
Verrinosa aos demais
Os olhos se abrem
Como o sol que silenciosamente engole o mar
A cada por do sol

Antecipando um novo amanha
Sendo ele igual aos demais
No solo rijo de argila e betão
Teimando em nada alterar

O sopro vem só
Ao respirar de cada passagem
E tudo nasce
No sufoco de um suspiro

E a noite se torna dia
E o por do sol se torna nascer do sol
E o sol se torna lua
E o sopro se torna asfixia
Nós nos mantemos iguais
Inabaláveis no ridículo






quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Respirando


Depois de tantos horizontes falhados
Encontro a nébula do silêncio por si só
Alegre no seu jeito tímido de falar
O compasso de espera se torna forte
Distante de um mundo ilusionista
Pois também já lá passei
Renego essas e outras realidades
Ofertas tentadoras
Que me encheram de vazios
Retorno a mim sendo eu
Apenas eu de novo
Respirando ar
Lentamente. Mas respirando

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sementes são sementes


Poucos podem entender
Escolhas são escolhas
Nos casulos da paz
Regressos são regressos
Escolhas não escolhidas
E as sombras falam
E o silêncio escuta
Em mais uma verdade escondida
Fracos, oprimidos, iludidos
Julgais com um dedo
Mas nem sabeis abrir a boca
Liberdade, paz gritam na hipocrisia do vosso veneno
Quem subjuga seu semblante
Com um sorriso comprometedor
E o entrega a dor
E desse sorriso se alegra
Eu sou que vos quiserdes
Mas não me feche a boca
Já existem vários repetidores
Deixai-me ser pensador
Não poderei vestir vossas vestes
E minha boca sempre se abrira
Na fome da justiça
Vos que tudo sabeis
Não tendes respostas
Eu vos rejeito
Mas não vos odeio
Sementes são sementes
E a terra é quem escolhe
A terra é quem as germina


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Abertamente DEUS conhece esse coração

Janelas fechadas
Que secretamente abertas
Reflectem os espelhos da alma
Refugio de quem julga
Abertamente DEUS conhece esse coração

Serei brando
 em-quitações das tempestades
Irando contra tudo
Em todos que a ira se refugia
Pés pequenos para caminhos grandiosos
Trilhos cercados marcados pela desilusão
De querer e não ser
Testemunho de verdade escondido
Pela água poluída do pecado

Quem cobre seus cabelos
Na lágrima escondida
Ou solta seus braços ao infinito
E se ergue em perdão
Os céus se erguem sobre nos
Como julgamento
E a terra se compromete

A prostituta dança sobre nos
Embriagados por toda a ma sorte
Nos dirigimos para o abismo
Fracos, os da carne
Que se recostam a ceia final
Ensanguentados
Mal dirigidos
Entre cegos seus olhos se fecham
Enquanto as lágrimas são derramadas
Num sofrimento sem fim
Na esperança que a pequena janela
Se abra em cada coração


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Eis que ergo também, meus cornos

Resumidamente te pérfido em cada linha delicadamente és tu de mim que pinto
Eis que ergo também, meus cornos
e me relanço a qualquer cornadura madura
Não te colho já
Voltarei quando estiveres madura
Quando a chuva for sincera
E teus pés saírem da lama
Não te beijo agora neste dia de dissabor
Esperarei o mundo girar
Não serei eterno no eterno de ti
Nem firmarei promessas fúteis
Te beijarei sim quando o sol se deitar
Te amarei sim quando os oceanos secarem de tanto no rio chorar
e direi ao mundo guardo teus cornos
Pois eu utilizei os meus
Na liberdade que me foi concebida
Estas ai?
Oh faneca

terça-feira, 9 de agosto de 2011

suspeita


Olha que velho e apagado
Reluz seu rosto
Ofuscado pelo tempo, talvez?
Envelhecido pelo pecado?
Qual velho trapo junto a lareira
Que não se acende sem uma mão para acariciar
Suas fornalhas esquecidas
Me entristecem o peito
Em lembranças bem guardadas
Enquanto eu me perco
Tu me recordas
Lamentas e inventas
Enquanto da minha cadeira
Eu viajo para mundos incertos
Tempestades risonhas
Olha pah.? Eu te chamo, sem obter resposta plausível, questiono esta mente ridícula
E pergunto! Porque encravas-te meus sonhos
Mais ridículo entre o pensamento vazio
Que se expande meu ser refutado numa cadeira inútil para pensamentos
E enquanto penso deixo de agir
E deixo a realização para amanha para outros talvez
E reclamo o pensamento que ocultei e deixei para alguém realizar
E mais estúpido do que um pensamento deixo abrir a porta
Prometendo que amanha sim serei o que quero ser! Enquanto alguém esconde a vergonha que sente de mim
Eu me atiro a água vestido para lavar a roupa rasgada que carrega meu corpo
Te associo ao passado sem nunca teres feito parte dele, que me reconhece um sem futuro decadente
Só já o vento me consola mesmo quando me tenta irritar tentando apagar o cigarro que já por mim não consigo acender
Será que o vento não tem mais que fazer? E me obriga a pensar!
Ela deambulava pela rua e ele suspeitava da janela que bastava um suspiro para ser descoberto, a vida era arena, o céu cinzento e o sorriso esperava sem uma única palavra. Ele a olhava e ela sentia esse olhar que escondia como se fosse a única coisa real do seu dia, aquela hora daquela janela sem se ouvir um único som duas almas se cruzavam num infinito de emoções num infinito de contradições e o mundo girava.
Enquanto a voz que em mim vive procurava uma forma de se fazer ouvir, um grito distante que estremece a terra! o solo onde coloco meus pés descalços pelo pó que me cega carregado de injustiças.
Ele se debruça a varanda cai! Ela se assusta e foge pensando que junto a ela! (pessoa ou varanda) qualquer, ele cai e a suspeita também!



segunda-feira, 25 de julho de 2011

E ressurge mais uma manha

Somos teclas de um piano
Que desafinado diz olá
Apanhando o tal comboio
Numa esquina desafinada
Na gare destinada

Somos a voz que se eleva no silêncio
Palavra calada
Somos rua pelos sapatos calcada
O horizonte do mar imenso

Somos a cadeira deitada
Que nos faz manter de pé
O suor perfumado de uma guerra lembrada
 Os corpos marcados pela fé

E ressurge mais uma manha
Que nos amanhece
Sem nos perguntar
Se queremos acordar

E chega o beijo
Nas asas do vento
Leve nos lábios
Que perguntam como esta?

Sem saber esse nome
Escrevo entre a sorte
Tentando descortinar
Porque o sol queima
Quando ainda esta noite

Digo de onde venho
Mesmo sem saber onde pertenço
 Tudo gira parado
Como o colorido de uma flor
Que nasce no fim do dia

E tu pagas o café
No azedo do açúcar
Mexendo os dedos fechados
Abrindo a alma pela primeira vez
Perguntas quem pode levar a mal?

Enquanto eu bebo
O resto do inicio
Do vinho em minha boca
Sonhando com o beijo
Que não te dei
E ressurge mais uma manha
Que nos amanhece
Sem nos perguntar
Se queremos acordar


corpo que se vê

Tudo e simples
Pelo caminho
Entre a fadiga do sinal
Recostado ao universo
Vagueando o mundo
Sem cheirar o avindo

Sabes como quem sabe
Ao sabor de uma corrente qualquer
Certa vez que te chamaram para dançar
Batendo ases como uma ave

Soltando a escolha
Enfrentando o desafio
Abrindo a garrafa vazia cortando a rolha
E na graça
Sorris a desgraça

Fazemos amores
Numa palavra esquecida
A sombra de uma mistura de sabores
E a palavra se torna sentida

Cuidado ao correr
Andar ou saltar
Sem esconder o relógio que dita o tempo
Que gela o momento
Um só olhar pode eternizar
Soltar uma paixão
Que leve esse rebelde
Coração de paixão
Simplesmente ao simples segundo
Em que se pode amar

Entre o tempo que passa
Tentando ficar
Ao reencontro dos desaparecidos
De quem não conhece a desgraça

O mundo dance-mos
Sentados numa esplanada
Ao cair do sol
Separando os compêndios
Ao cantar da rua sem saída

E o corpo que se vê
Sem se ver
Ao desejo do maldito
Quando o amor é criminoso
E o criminoso se torna favorito

Soltando aquela eterna gargalhada
E então que tudo se lixe
Nesta estrada desamparada
Trocando endereços
Pelo meio a sempre quem cochiche ou comiche
Pois eu sou pessoa
E quero ser amada




segunda-feira, 20 de junho de 2011

simplicidades que ela me oferece

Eu salto
Pela vida
Num salto de alma
Refrescando o corpo de sabores

Conquisto a vida pouco a pouco
Nas simplicidades que ela me oferece
Livre com o mundo
Recostado no horizonte colorido
Como um beijo do vento em minha face

Recosto meu corpo
Num olhar que me invade o sentimento
Ninhos de esperança
Para quem nasce de novo

De solo a solo
Corro junto ao rio
Na água do amor
Acariciando seu leito

E repito vezes sem conta
Sem me prenunciar
Sem dirigir qualquer palavra ao universo
Eu estou vivo
E partilho esse prazer com toda a vida
Partilhando a arte de amar
Planto flores de cores e emoções
Colorindo o incolor
Que se manifesta
Em certos corações

E me regozijo nesse fim de tarde
Onde a maresia me chamou
Levitando pela brisa
Que me abraçou
Assistindo ao festival
Da natureza viva

 Salto numa correria sem fim
Os obstáculos da vida
Num labirinto que se abre
Perante olhos singelos